É muito comum que pacientes procurem o urologista após a identificação de hidronefrose em exame de imagem. Entenda mais sobre o que pode causar dilatação renal e como proceder após a identificação desta alteração.

Sistema excretor renal

Os rins são órgãos abdominais responsáveis pela processo de filtração da sangue. Este é o processo de retirada de impurezas e substâncias em excesso no nosso corpo. A urina é produzida a partir destas substâncias que estão sendo desprezadas.

O principal componente a urina é a água, que serve de carreador para sais minerais e outros compostos produzidas pelo metabolismo. Este conteúdo líquido é levado através de um sistema que se assemelha a uma tubulação. A principal função deste sistema, denominado sistema excretor, é promover o armazenamento e eliminação destas substâncias de forma voluntária.

São componentes deste sistema os cálices e pelve renais, ureteres, bexiga e uretra. A hidronefrose se refere a presença de dilatação deste sistema entre o ureter e o rim. Normalmente isto ocorre por mal funcionamento destas “tubulação”seja por causas obstrutivas ou intrínsecas dos referidos órgãos.

Rim dilatadoRim dilatado – quais são as causas?

Existem diversas causas de dilatação do sistema de excretor renal ou hidronefrose, com é chamado por médicos. Uma das principais causas de rim dilatado é a presença de obstrução do sistema. Fica fácil de entender, pois sabemos que o rim produz urina continuamente, de maneira que obstrução de sua drenagem leve a dilatação.

Outras causas de dilação estão associadas a própria conformação do ureter e bexiga, denominados causas não obstrutivas.

Causas Obstrutivas

Causas Não obstrutivas

Sintomas de dilatação renal

A sintomatologia relacionada a dilatação do sistema de drenagem renal é variada. A manifestação depende da lateralidade, da velocidade de instalação e do grau de obstrução.

Se a obstrução ocorre lentamente de forma uni lateral a sintomatologia pode ser leve. Casos como estes podem levar a dor lombar de baixa intensidade, especialmente se a obstrução não for completa. Nestes casos a obstrução pode evoluir para perda renal de forma quase assintomática, pois o rim contralateral compensa a perda de função do rim obstruído. Nestes casos o diagnóstico feito frequentemente apenas por exames de imagem.

No casos de obstrução progressiva e lenta bilateral, apesar da sintomatologia álgica leve, o prejuízo da função de filtração renal pode levar a sintomas gerais. A chamada insuficiência renal pode causas vômitos, inchaço, redução do volume de urina, entre outros sintomas.

Quando a obstrução ocorre de forma abrupta e completa sintomatologia costuma ser intensa. É o quadro típico de obstrução por cálculo renais. Nestes casos ocorre a famosa cólica renal, caracterizado pela sua localização lombar com irradiação para a virilha e intensidade muito elevada. Nestes casos podem ocorrer também vômitos e náuseas devida ativação da resposta vagal pela dor intensa.

Em casos não obstrutivos a dilatação pode estar associada infecção urinária pelo acumulo de urina no sistema. É o caso de crianças com refluxo vesico-ureteral. Nestes casos a febre e sintomas gerais como dor no corpo e falta de apetite devem guiar a investigação apropriada.

Rim dilatado – quais são as consequências?

As consequências específicas de cada patologia que causa a dilatação dos rins é muito diversa, no entanto todas apresentam uma capacidade em comum de causar dano renal. É importante ressaltar que o rim não regenera, portanto não é possível reverter lesões definitivas do tecido renal.

Sabemos que o rim tolera permanecer obstruído por tempo limitado. Por exemplo nos casos de obstrução ureteral por cálculo é seguro aguardar a eliminação espontânea por cerca de 4 semanas. Em outras patologias que cursam com obstrução incompleta o tempo e a perda renal podem se progressivas.

Outros consequências relacionadas a obstrução do fluxo renal estão relacionadas ao mecanismo de proteção contra infecções. O fluxo contínuo de urina é um dos fatores que ajuda a lavar o sistema e impedir que bactérias cheguem ao rim. Em pacientes obstruídos o risco de infecção aumento.

Além disso, infecções em sistemas obstruidos são mais difíceis de tratar devido a baixa penetração de antibióticos no interior das vias excretaras renais.

Sangramento também pode acontecer. Quando o rim permanece obstruído a pressão aumentada no interior do sistema o torna mais propenso a quadros hemorrágicos.

Diagnóstico de rim dilatado

Hidronefrose

O diagnóstico de hidronefrose é realizado através de exames de imagem. O menos invasivo e mais comum é a ultrassonografia. Outros exames como Tomografia computadorizada e Ressonância nuclear magnética são utilizados em casos específicos.

Tratamento da Hidronefrose

Afora tratamentos específicos relacionados a doenças causadoras de hidronefrose, em situações específicas, o tratamento da hidronefrose está indicado. Como relacionado acima, situações como obstrução prolongada, infecção, sangramento agudo e prejuízo agudo da função renal são indicações de tratamento da hidronefrose.

Sondagem Uretral

A implantação de cateter uretral ou sonda Foley está indicada quando o fator obstrutivo se encontra na bexiga ou abaixo dela. São casos de hiperplasia prostática benigna, câncer de próstata, estenose de uretra e bexiga neurogência. A função do cateter é drenar a urina represada na bexiga para uma coletor urinário.

A sonda uretral pode ser implantada em caráter ambulatorial respeitando-se a técnica adequada. Em situações onde a obstrução não permite a passagem do cateter pode-se utilizar técnicas de dilatação ou passagem endoscópica.

Cistostomia

A cistostomia consiste de implantação de cateter urinário na bexiga através de punção ou diretamente por via cirurgica com saída do mesmo pela parede abdominal. Esta indicada em situações onde não é possível a passagem de sonda uretral.

Implante Cateter duplo J

O cateter duplo J consiste de dreno com ambas as pontas de em forma circular. O objetivo é que o cateter não se desloque após ser implantado no ureter.

As indicações para a utilização dos cateteres duplo J estão relacionadas obstruções ureterais tais como, cálculos, tumores ou compressão por outros órgãos. O procedimento normalmente é realizado por via endoscópica, embora também possa ser realizada implantação percutânea.

Nefrostomia

Consiste da introdução de caráter diretamente no rim com o objetivo de descomprimir o sistema coletor. A punção pode ser guiada por ultrassonografia, TC ou pielografia. Está indicada em casos onde se não consegue implantar implantar cateter duplo J devido a obstrução severa do ureter ou quando é necessária drenagem de fluido espesso do rim, como nos casos de pioneiros.

A desvantagem principal é a presença de cateter de drenagem externo com a necessidade de bolsa coletora.

Tratamento Específico de Hidronefrose

Cálculo renal 

Cálculos renais que causas rim dilatado devem ser abordados quando maiores que 5 mm ou quando associados a complicações como infecção ou insuficiência renal. A cirurgia para desobstrução consiste de abordagem endoscópica através da uretra.

Utiliza-se um aparelho para quebrar os cálculos e estes são retirados com pinça Basket.

Estenose de JUP

Tratamento da estenose de junção uretero-pélvica consiste de retirada cirúrgica da área estreitada e reconexão da pelve renal e ureter. Chamamos este procedimento de pieloplastia, que pode ser realizado por cirurgia aberta, laparoscópica ou cirurgia robótica.

Obstruções ureterais

Obstrução ureterais em geral podem ser tratadas com dilatação endoscópica e passagem de cateter duplo J. Em casos mais complexos podemos retirar a região acometida e realizar a reconexão a bexiga ou ureter por via cirúrgica.

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